Espaço comunicativo, de teor artístico-cultural, em que a expressão poética assume o papel de maior relevo. Não há aqui lugar a pessimismos fátuos, a frustrações e/ou falsas evidências... Prevalecerão o bom senso e o critério humanísticos!
Sábado, 9 de Dezembro de 2006
«MATRONA DO ESTADO PORTUGUÊS»

IMACULADA CONCEIÇÃO
 
A solenidade da Imaculada Conceição é uma festa litúrgica da Igreja Católica celebrada no dia 8 de Dezembro. A afirmação da Imaculada Conceição de Maria pertence à fé cristã. É um dogma da Igreja que foi definido no Século XIX, após uma longa reflexão e de amadurecimento.
Imaculado Coração de Maria significa que a Virgem Maria foi preservada do pecado original  desde o primeiro instante de sua existência.
Nascida há cerca dois mil anos, numa região da Palestina, Nossa Senhora teve como pais São Joaquim e Santa Ana. Foi concebida, por obra e graça do Espírito Santo, sem mácula do pecado original, diferenciando-se assim de todos os outros mortais.
A maternidade divina de Maria é a base e a origem da sua Imaculada Conceição. A razão de Maria ser preservada do pecado original reside na sua própria vocação: vir a ser mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus que assumiu a nossa natureza humana.
O senso comum dos fiéis sempre acreditou na imunidade de Maria relativamente ao pecado original. Tanto no Oriente como no Ocidente, na piedade e na liturgia, desde os primeiros Séculos, se compraziam em celebrar a santidade e pureza da Mãe de Jesus. A reflexão teológica da Igreja foi aprofundando, aos poucos, essa crença do povo de Deus. Os escritos cristãos do Século II dão já testemunho desta, concebendo Maria como a nova Eva ao lado de Jesus, o novo Adão, na luta contra o mal. O Proto Evangelho de Tiago, obra apócrifa antiga, narra que Nossa Senhora é diferente dos outros seres humanos. No Século IV, Santo Efrén (306-373), diácono teólogo e compositor de hinos, propunha quer só Jesus Cristo e Maria de Nazaré são limpos e puros de toda a mancha de pecado. Já no Século VIII se celebrava a festa litúrgica da Conceição de Maria a 8 de Dezembro ou nove meses antes da festa da natividade de Nossa Senhora, comemorada a 8 de Setembro. N Século X, na Grã-Bretanha, celebrava-se também a festividade da Imaculada Conceição de Maria.
Entretanto o debate entre teólogos perpassou vários Séculos, tendo opositores e defensores da doutrina da Imaculada Conceição. Coube a Duns Escoto (1266-1308), teólogo franciscano, avançar no debate teológico, argumentando que Maria foi preservada do pecado original em previsão dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador Universal. Dizia ele: “Convinha que Deus fizesse a excepção; podia fazê-la; portanto, a fez! ... Deus concebeu a Maria o privilégio especial da redenção de Jesus de forma antecipada e preventiva”.
A posição de Duns Escoto foi-se afirmando pouco a pouco, triunfando sobre as restrições e hesitações dos grandes teólogos da Igreja. Já no Concílio de Trento (1545-1563) nenhuma objecção teológica abalou a crença na Imaculada Conceição, mas os participantes julgaram que a questão não estava ainda madura para justificar uma posição definitiva.
Com o passar dos séculos, no debate dos teólogos foi-se acalmando, clarificando e aprofundando ainda mais «a questão mariana». No século XIX, finalmente, o Papa Pio IX interpelou os bispos dos diversos países, evidenciando que a necessidade de se declarar o privilégio da Imaculada Conceição de Maria exprimiria o sentimento comum de toda a Igreja. Todavia, a consulta ressaltava que é necessário relacionar tal privilégio com a redenção de Jesus Cristo.
Aos 8 de dezembro de 1854, Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus, fez a definição e proclamação oficial do Dogma da Imaculada Conceição de Maria. Testemunharam, para além do Papa, 53 cardeais, 43 arcebispos, mais de 100 bispos e a passar de 50.000 romeiros vindos de todas as partes do mundo.
                                                 *****
NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO, PADROEIRA DE PORTUGAL 
 
Nas cortes celebradas em Lisboa no ano de 1646 declarou el-rei D. João IV que tomava a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, prometendo-lhe em seu nome, e dos seus sucessores, o tributo anual de 50 cruzados de ouro.
Ordenou o mesmo soberano que os estudantes na Universidade de Coimbra, antes de tomarem algum grau, jurassem defender a Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Não foi D. João IV o primeiro monarca português que colocou o reino sob a protecção. da Virgem, apenas tornou permanente uma devoção, a que os nossos reis se acolheram algumas vezes em momentos críticos para a pátria. D. João I punha nas portas da capital a inscrição louvando a Virgem, e erigia o convento da Batalha a Nossa Senhora, como o seu esforçado companheiro D. Nuno Álvares Pereira levantava a Santa Maria o convento do Carmo.
Mas foi por provisão de 25 de Março do referido ano de 1646 que se mandou tomar por padroeira do reino Nossa Senhora da Conceição. Comemorando este facto cunharam-se umas medalhas de ouro de 22 quilates, com o peso de 12 oitavas, e outras semelhantes mas de prata, com o peso de uma onça, as quais foram depois admitidas por lei como moedas correntes, as de ouro por 12$000 réis e as de prata por 600 réis.
Segundo diz Lopes Fernandes, na sua Memoria das medalhas, etc., consta do registo da Casa da Moeda de Lisboa, liv. 1, pag. 256, v. que António Routier foi mandado vir de França, trazendo um engenho para lavrar as ditas medalhas, as quais se tornaram excessivamente raras, e as que aquele autor numismata viu cunhadas foram as reproduzidas na mesma Casa da Moeda no tempo de D. Pedro II.
Acham-se também estampadas na Historia Genealógica, tomo IV, tábua EE. A descrição é a seguinte: JOANNES IV, D. G. PORTUGALIAE ET ALGARBIAE REX – Cruz da ordem de Cristo, e no centro as armas portuguesas. Reverso: TUTELARIS RE­GNI – Imagem de Nossa Senhora da Conceição sobre o globo e a meia lua, com a data de 1648, e; nos lados o sol, o espelho, o horto, a casa de ouro, a fonte selada e arca do santuário.


publicado por conchitamachado às 06:01
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2 comentários:
De Mikas a 9 de Dezembro de 2006 às 19:07
Hum soube mto bem o dito feriado


De padeiradealjubarrota a 28 de Dezembro de 2006 às 21:59
Diz-se que a maioria dos portugueses é católica, mas quando há um post destes, as pessoas não comentam. Não se querem pronunciar. Porém, quando estão na «rua da amargura» recorrem à Mãe de todas as Mães. O dia 8 de Dezembro é um dia belissimo.


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