Espaço comunicativo, de teor artístico-cultural, em que a expressão poética assume o papel de maior relevo. Não há aqui lugar a pessimismos fátuos, a frustrações e/ou falsas evidências... Prevalecerão o bom senso e o critério humanísticos!
Domingo, 30 de Abril de 2006
OS INTRANSPONÍVEIS DO AMOR !...
                                  NASCIDOS EM NOSSOS CORAÇÕES
 
                                                                        Por
                                                                        Silas Correia Leite

Para onde fores terei de ir contigo
Não sei quem sou sem ser contigo

Dora Ferreira da Silva

Muito antes de nascerem no átomo e na água, já aprendemos - e literalmente descodificamos o próprio conhecimento sensível - o maravilhoso e legítimo legado (de também sentirmos que precisaremos) de algumas pessoas especiais para um refinamento humano de nossa alma-genuína sempre em mutação. Pessoas, quem?
De alguma maneira - que não sabemos - honrados pelo mérito da nova chance os escolhemos nalgum amplo hangar do espírito. Um bom espírito atrai outro bom espírito complemento, como papel-espelho, assim como escolhemos filhos e amigos, doces e canções, sementes e raízes, doenças e planos infrutíferos.
Antes mesmo de nascerem, os escolhemos e eles, aqui, nesse plano, como compensação só poderão ser nascidos em nossos corações, feito uma nova oportunidade de os conquistarmos para o futuro de novos céus e novas dimensões. Como escolhemos o filho, a mãe, o irmão, dentro do ninhal de Deus e com a devida cota de afectos e lágrimas, além do depósito existencial do Banco Novo Mundo do Céu, e assim os escolhemos para nos ajudar e nos melhorar. Somos dependentes deles.
Um amigo turrão que vive no cobrando-nos. Um irmão doce que vive perdoando-nos ou que nos vê como santo. Uma sobrinha maravilhosa que, um dia, no estado ancestral da alma evolutiva perdemos, e então temos - a nova tentativa de Deus - a chance da escolha para sobrinha-filha, para então jamais a perdermos de nós mesmos. E não é qualquer alma que escolhemos para sobrinha-filha. Ah se elas soubessem o motivo divinal, adorar-nos-iam. E elas têm que ser especial como a nossa vida antiga e sempre renovada, que coadunem com o nosso espírito, nossos limites. Há uma cota de afectos também. Perdões valem ouro no altar do céu.
Não podemos fugir de nós, do que já fomos um dia, do que seremos, do que ainda havemos de ter; de voltar a conquistar ou fazer por merecer um dia futuro. Anjos e dores nos são dados, sempre e tanto, para nos refazermos em nós, depois dos desvios de caminhos, situações-limites, desvios de conduta, sagrações. Escolhemos cruzes e estrelas, quando estamos no lumiar do portal de Deus. Muito antes de nascermos, escolhemos os que não serão de nosso sangue, de nosso corpo e de nossa família, mas que, por certo, eternamente sempre serão nascidos do coração.
Filhos podem ser dívidas, como podem ser recompensas. Mães podem ser anjos ou bónus de circunstâncias para tratamentos vivenciais difíceis. Pais podem ser mãos peregrinas brincando a intervenção cósmica nossa, como caridosas mãos estendidas, com risos abertos, com abraços demorados. Perdas e ganhos, saudades e reconhecimentos. Ah a filha que não tive. Ah a mãe que perdi. Ah o pai que era um exército provedor de estima. Ah o amor que nunca fizemos por merecer. Nenhum encontro é para ser trauma. Desencontros afinam sensibilidades.
Nenhuma perda é para ser neura. Nenhuma morte é para ser adeus. Certos adeuses são curas de feridas da alma. Nascem dos nossos corações os amigos que brilham, os vizinhos que somam, os descendentes que virão cobrar-nos, quando purgaremos erros. Quando é que estamos em nós?. Plantamos a cruz como plantamos o amor. Colhemos familiares conforme a nossa cota sacrificial de fazermos por merecê-los. No espiritual o que é grátis, é pura conquista. O que é dor é mero resgate de percurso. O que é perda é cessão de referencial por algum tempo. Lições. Aprendizados.

Voltaremos sempre a nos reencontrar, de uma forma ou de outra, em situações diferentes, inversões de hierarquias, privações e louvações? Não faz diferença o local e o grau de parentesco. Deus é o programador. No unus mundus, a criança divina é todo aquele sentimento oxigenante que permanece sereno em nós. A alma aprendiz. O reforço de lágrima. A pomada de dor. Entre a cicatriz e a morte, há a aurora química da terra a formar o universo conspirando a favor. Celebremos as núpcias da ancestralidade. Colhamos a nova aurora de uma nova relação-sentimento. Há o milagre de esperar para que, aquela sobrinha-filha de alguma maneira, nalguma vida uma dia desviada de fisionomia, possa vir a ser recuperada no fulcro do futuro como carta de crédito de Deus. E então possa vir a ser novamente filha, ou irmã, ou mãe. Amigo que é amigo cumpre a estima. Portanto, ergue teus braços para o infinito, e abraça essa oportunidade no devir de teu pagamento, se fizeres por merecer. Sempre há uma chance provedora ou provocadora de revisão.
Uma reconquista assim é uma jóia preciosa que recuperamos, no diadema de magnífica luz que ornará o nosso caminho, muito além da fonte da vida eterna, de onde nascemos gota de Deus para a merecida evolução no primeiro átomo da água. Há uma aurora que às vezes não percebemos depois do caos. O que nos foi dado e o que não nos foi possível ainda. O que perdemos e recuperamos em actos e conquistas. O que poderia ter sido, já foi tristeza e deixou mágoas. Só será novamente nascido em nosso coração, quem tem tudo a ver com o que somos enquanto humanus. Dependência é isso.
Nascidos em nossos corações porque sabemos que não há escada sacrificial. O zelador que, sem saber, com o nosso respeito e humildade sorri dentro de nossa mente, todo santo dia. Aquele ser que, sem saber direito, porque e como, nem tem muito a ver connosco, quem sabe se talvez até nem o reparamos direito no meio de nós, e um belo e bendito dia nos estende a humilde mão servidora e diz que adora nosso jeito de ser. Amigos nós escolhemos pelo mérito. O coração tem uma regra que mora no âmago das coisas E é o amor que mora no âmago de tudo. Amor é tudo.
Se plantarmos muros, colheremos muros. Se semearmos escadas, podemos provocar a colheita de degrau inferior. Se depositamos vaidade na mão do destino, colheremos impurezas na alma. Perdoar é divino. Servir é para quem nasceu provido, principalmente de grandeza interior. Somos estrangeiros em nossos próprios erros? O que queremos fazer de nós? Aliás, o que já fizemos de nós e agora não queremos aceitar como paga de retorno? O pescador de pérolas precisa afinar o tacto, a respiração, a devida compreensão do estético. O mosaico do monge é íntimo. Elefantes não jogam dados.
Nascidos dos corações nos pertencem primeiro e antes mesmo de nascerem. Moram em nossa compreensão mais intima, são mais do que merecedores de nós, e aqui outra vez estamos para uma troca de igual para igual. A alma sabe o exacto local do seu endereço, do referencial de estima recíproca, da carência e daquilo que nos trará de novo para o altar do sangue, porque é do coração e no coração que nasce a virtude. Consulte seus actos. Percorra os labirintos de sua memória. Fique de bem com você mesmo. Nada será tirado de você. Nada será dado gratuitamente também. A harmonia do todo, regerá a colheita do certo e do errado, do fermento ou da paralisia. Tudo é seara. Nascidos do coração são nossos cartões de créditos emotivos. Podemos sacar o quanto precisamos, e sempre haverá mais. Precisamos repensar sentimentos, para não termos que pagar com uma nova vida, a dívida que escolhemos para nossa evolução.
Consulte sempre o seu coração para ter sempre uma boa viagem de viver nesse plano, aqui e agora. O pior retorno é aquele que você mesmo sofreu uma vida e não aprendeu para evoluir. Perdeu pra você mesmo. Amar não dói. Nascidos em nossos corações brilham ao redor de nós, no entorno edificante de nós, e assim então recarregamos a pilha cósmica de Deus por intermédio deles, válvulas de resgate do amor.

Silas Correa Leite - E-mail: poesilas@terra.com.br
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
Livro ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
www.hotbook.com.br/rom01scl.htm


publicado por conchitamachado às 08:52
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3 comentários:
De MoonLight a 30 de Abril de 2006 às 10:37
Lindo! Revejo-me em tantas palavras! Obrigado pela partilha. Adorei. Bjs de Luz


De Maria Papoila a 30 de Abril de 2006 às 16:16
Texto para ler e reler, e voltar a ler. Muitíssimo bem escrito, de suave leitura,: Parabéns por nos trazer e partilhar com quem a visita esta pequena maravilha sobre a arte de amar. Beijo


De Alvaro Faustino a 1 de Maio de 2006 às 15:10
Fala-se muito de amor próprio e pelosa outros. A doutrina ensiana a amar como Cristo amou e nós continuámos a realizar exactamente o contrário, salvo certas excepções. Como diria o outro, falam, falam... mas não fazem nada. Não podemos andar a apregoar o amor e a palavra de Deus, quando muitos de nós não fazemos isso a nós próprios. Mas o texto é bonito e muito "suave" de ler. Parabéns pela pesquisa.


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