Espaço comunicativo, de teor artístico-cultural, em que a expressão poética assume o papel de maior relevo. Não há aqui lugar a pessimismos fátuos, a frustrações e/ou falsas evidências... Prevalecerão o bom senso e o critério humanísticos!
Sábado, 9 de Setembro de 2006
HÁ MAIS GALOS QUE POLEIROS !
TECENDO A MANHÃ

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entre tendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
 
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.


João Cabral de Melo Neto


O poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), nascido em Recife, desvenda a alma do homem do sertão e revela a paisagem rural nordestina em seus poemas.
Este foi retirado do livro Novas Seletas, da editora Nova Fronteira


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Conchita Machado


publicado por conchitamachado às 19:48
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Terça-feira, 5 de Setembro de 2006
DESEJOS SEM FIM !!
JANELA DO MEU EU

    Por
    Júlio Roberto

Da janela da minha casa,
eu vejo um rio que lá não está

Olho as naus que vão partir
e sofro por não ir ...

Mas ir para onde?
Eu sei lá, partir, ir, não ir,
vir, voltar, regressar
e depois partir ...

Tem sido esta minha vida,
tal como da minha janela ...
sempre a ir, sem ir,
sempre a ficar, sem estar

Janela onde me sento
e contemplo o céu e o mar
da minha imaginação ...

Vejo-me como um judeu errante,
na terra sem terra,
na pátria sem o sentir

E dá-me vontade de chorar,
sem razão nenhuma,
como se chorar fosse rir ...

É assim como partir, sem ir ...


Júlio Roberto
In "Pedaços de Mim"


publicado por conchitamachado às 11:34
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